O MENINO ROSA

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29/07/2006 18:34
UM CARA DE TRINTA
No início da semana ganhei de presente uma festa surpresa, com direito a bolo de chocolate, brigadeiros e refrigerante. Obra dos meus queridos alunos. Acho que comecei a comemoração dos meus trinta anos em grande estilo, com uma demonstração pública de muito afeto, coisa rara nesses dias turbulentos.
É verdade que a crise veio, ela sempre aparece, mas passou logo. Fazer 29 foi mais difícil, doeu muito, mas passou.
Nessas datas especiais, gosto de fazer uma retrospectiva da vida ... caramba, já passei por cada coisa! Hoje vivo dias felizes e estou trabalhando intensamente para manter o pensamento positivo. Tenho certeza de que a companhia do meu amorzão tem sido fundamental nessa fase nova. Engraçado como ele me equilibra, como ele é a medida de tudo que permeia esses dias.
Passei uns dias escondido, tratando da alma, recluso em mim mesmo pude ouvir melhor os meus pensamentos... Consegui entender que amor não rima com ciúme, que eu tenho o direito a ser feliz todos os dias e que sou um cara de trinta muito iluminado.
Fazer 30 foi renascer. Tenho um mundo todo para re-conhecer e estou grato por tudo!
Obrigado!!!

PS1- MENSAGEM PÚBLICA AO MEU AMORZÃO:
É claro que você conseguiu amarrar o meu coração ao seu. Não tenha dúvida de que eu te amo muito e que estou muito feliz ao seu lado! O que eu escrevo aqui no Menino Rosa são sensações que passam no meu peito, coisas que preciso partilhar com os outros. Ferreira Gullar já disse: "A poesia/ quando chega/ não respeita nada."

PS 2- Estive lendo a incrível Elisa Lucinda e encontrei esse texto lindo, que é a cara desse meu momento metamorfose:


NO ELEVADOR DO FILHO DE DEUS

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
Que eu já tô ficando craque em ressurreição.
Bobeou eu tô morrendo
Na minha extrema pulsão
Na minha extrema-unção
Na minha extrema menção
de acordar viva todo dia
Há dores que sinceramente eu não resolvo
sinceramente sucumbo
Há nós que não dissolvo
e me torno moribundo de doer daquele corte
do haver sangramento e forte
que vem no mesmo malote das coisas queridas
Vem dentro dos amores
dentro das perdas de coisas antes possuídas
dentro das alegrias havidas

Há porradas que não tem saída
há um monte de "não era isso que eu queria"
Outro dia, acabei de morrer
depois de uma crise sobre o existencialismo
3º mundo, ideologia e inflação...
E quando penso que não
me vejo ressurgida no banheiro
feito punheteiro de chuveiro
Sem cor, sem fala
nem informática nem cabala
eu era uma espécie de Lázara
poeta ressucitada
passaporte sem mala
com destino de nada!

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
ensaiar mil vezes a séria despedida
a morte real do gastamento do corpo
a coisa mal resolvida
daquela morte florida
cheia de pêsames nos ombros dos parentes chorosos
cheio do sorriso culpado dos inimigos invejosos
que já to ficando especialista em renascimento

Hoje, praticamente, eu morro quando quero:
às vezes só porque não foi um bom desfecho
ou porque eu não concordo
Ou uma bela puxada no tapete
ou porque eu mesma me enrolo
Não dá outra: tiro o chinelo...
E dou uma morrida!
Não atendo telefone, campainha...
Fico aí camisolenta em estado de éter
nem zangada, nem histérica, nem puta da vida!
Tô nocauteada, tô morrida!

Morte cotidiana é boa porque além de ser uma pausa
não tem aquela ansiedade para entrar em cena
É uma espécie de venda
uma espécie de encomenda que a gente faz
pra ter depois ter um produto com maior resistência
onde a gente se recolhe (e quem não assume nega)
e fica feito a justiça: cega
Depois acorda bela
corta os cabelos
muda a maquiagem
reinventa modelos
reencontra os amigos que fazem a velha e merecida
pergunta ao teu eu: "Onde cê tava? Tava sumida, morreu?"
E a gente com aquela cara de fantasma moderno,
de expersona falida:
- Não, tava só deprimida.


enviada por Menino Rosa






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